Autor: Falcon

Destino: Tapiraí e redondeza

Data: 09/07/2002

Desde ontem estava eu pensando no que fazer hoje, para onde ir. Sim, era uma grande preocupação que aflige a maioria dos homens na minha situação.
Explico: o sujeito casado, com filhos, que fica dias e dias ocupado com filhos, esposa, trabalho, mãe, cunhado, extratos de banco, coisas do lar etc e tal... precisa de um tempo para si.
Quando este tempo lhe é presenteado com uma súbita viagem para o interior que a família fez (com sogra e tudo), ELE TEM QUE APROVEITAR!
Se for motociclista, tem que por a máquina na estrada, chova ou faça sol, no frio ou no calor. E assim fiz eu.
Depois de fazer várias ligações com convites de última hora, não consegui companhia para o passeio e resolvi ir sozinho.
O convite do Aloísio para ir ao Rio é tentador, mas a Dutra/Carvalho Pinto em volta de feriado não é mole.
Pensei em ir a Campos do Jordão, mas resolvi ir a algum lugar novo para mim.
Foi então que lembrei de uma sugestão do Semiomi sobre uma certa estradinha cheia de curvas no interior de SP e lá fui eu.
O dia estava ensolarado e um pouco frio, ótimo para andar de moto.
O caminho até Piedade eu já conhecia, pois costumava ir muito até Ibiúna e região. Para variar, trânsito intenso em Cotia e depois estrada quase vazia.
As curvas no trecho Ibiúna/Piedade são gostosas e pareciam um prenúncio do que estava por vir.
Cheguei em Tapiraí com tempo nublado e mais frio. A cidade (?) parecia aqueles vilarejos desertos de filme do velho oeste. Eu quase a atravessei sem perceber.
Para confirmar que conhecia a cidade de verdade, chequei os velhos pontos de sempre: pracinha com coreto, igreja, prefeitura e cemitério.
É, estava tudo lá num raio de cem metros e tudo deserto. As poucas almas que circulavam me olhavam com cara de espanto. Esperava encontrar uma pracinha simpática, com moçoilas passeando com aqueles vestidos de chita que o Schneider falou e um boteco para a cerveja, mas infelizmente não achei.
Abasteci a moto, comi um salgadinho frio e segui em frente.
A partir daí começou a valer o passeio. São quase 50 quilômetros de estrada bem pavimentada, pista simples, sem acostamento, toda ladeada de arvores e plantas.
Por estarmos quase no inverno, não haviam mais flores, mas elas pareciam não fazer falta pela beleza do lugar. Até o sol deu o ar da graça.
Já no começo da estrada vi os sinais de diversão à frente: "Cuidado, estrada sinuosa"; "Proibido o trânsito de caminhões"; "Proibido o trânsito de veículos articulados" (?); "Verifique os freios"; "Perigo" etc.
Na média, deve ter uma curva a cada 100 metros, ou menos.
O problema é que o visual nos seduz e quase passei reto nas curvas uma duas vezes. Há algumas curvas perigosas devidamente sinalizadas, mas há outras mais perigosas sem placa alguma. Tem que se tomar muito cuidado.
Tomei alguns sustos que, feliz ou infelizmente, me divertem muito a ponto de rir sozinho dentro do capacete.
Depois de alguns quilômetros nos acompanha um rio limpo (!), que troca de lado no meio do caminho.
Já no fim da estradinha (até meio tonto de tanta curva) surgem bananeiras e alguns descampados não tão bonitos, anunciando a chegada da cidade de Juquiá e da BR101.
Daí para frente vocês já sabem: buracos, caminhões, obras, acidentes etc.
Chegando de volta a Sampa, passei no Moça Bonita para um chopinho e encontrei com o Pessanha (Arcanjo), com o PC e os irmãos Jacarés (sem o próprio).
Batemos um papinho (onde cobrei do PC o funcionamento do Mr. Blues Bar durante meus alvarás relâmpagos), saí e fui tomar um café na sede Sampa dos Corujões e voltei para casa satisfeito, após 400 quilômetros de papo para o ar.

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