Quarta-feira, 28/11, precisava correr em Ourinhos, acertar alguns
probleminhas no fechamento da folha de pagamento da Fundação na
qual eu trabalhei por 7 anos e há 3 continuava prestando
serviços. Além disso, precisava dar uma olhada na minha casa, que
se encontrava vazia, pois pretendia alugá-la.
Sempre faço este caminho e esta viagem prometia não ter nada
demais em relação a tantas outras que já fiz. A
idéia era ir e voltar no mesmo dia (mais de 700 km percorridos).
Atrasei um pouco para sair, pois precisava preparar uma cópia de um
trabalho da faculdade para uma colega. Antes de sair havia me programado para
colocar meu notebook em uma mochila velha que reservo para essas
ocasiões e pensei em deixar uma camisa de mangas longas no alforge, para
o retorno, à noite.
Depois de 40km de estrada, percebi que algo estava pesando em meu ombro -
não havia colocado o notebook na mochila. Também não tinha
colocado a camisa no alforge.
Alguns kms mais tarde, desenvolvi técnicas de mudar a
posição da maleta do micro, tornando a viagrem
suportável...
Quando cheguei no km 298 da Castello Branco, a moto deu sinais de estar pedindo
reserva. Fui virar a chave e percebi que ela já estava na
posição de reserva, ou seja, a gasolina estava acabando.
Parei perto de um ônibus de trabalhadores que limpam as laterais da pista
e aguardei um pouco pra ver sa passava algum carro de apoio da
concessionária da rodovia ou alguma moto de onde poderia tirar um pouco
de gasolina para chegar ao próximo posto que ficava 5 km à
frente.
10 minutos e nada. Resolvi pedir carona.
Vários carros passaram, até que um bom samaritano resolveu parar.
O veículo estava lotado, com duas senhoras robustas e duas
crianças, além do motorista.
Pedi ao pessoal que estava trabalhando por ali, prá olhar a moto.
Quando estava indo pro posto, perguntei ao motorista do carro porque havia
parado para mim, já que tanta gente tem preconceito com motociclistas.
Ele me disse que ele sabe que esse tipo de motociclista é
confiável, do contrário não estaria com o escudo de um
moto clube.
No posto comprei a gasolina e corri pro outro lado da estrada.
O terceiro caminhão que passou me deu carona de volta.
Quando cheguei onde estava a moto (preocupado), percebi que o ônibus
ainda estava lá mas não vi o pessoal.
Me aproximei e o motorista me avisou que todos já estavam dentro,
prontos para ir a outro ponto da estrada, só esperando que eu chegasse
(Deus os abençoe).
Abasteci a moto e fui até o posto completar o tanque.
Saindo do posto, passou uma XR200 com a placa pendurada por apenas um parafuso.
Alcancei-a e avisei o piloto. Paramos e ele constatou que o parafuso que estava
sobrando teambém estava solto.
Achei uma abraçadeira plástica em minhas coisas, coloquei na
placa da XR e apertei firmemente o outro parafuso.
Quando iamos sair, constatamos que a XR estava com a bateria arriada e seu
condutor não sabia fazê-la pegar no tranco - resultado: eu tive
que dar partida na moto do outro.
Ele sugeriu que fossemos juntos prá Ourinhos. Expliquei que estava muito
atrasado e que teria que "abrir o gás".
Cheguei em Ourinhos, resolvi os pepinos bem rápido, consegui acertar a
locação da minha casa na imobiliária e combinei com a
vizinha, que estava com a chave, de passar lá prá ver as
condições do imóvel depois de quase um ano em que estive
fora dele.
Mexendo num sistema que desenvolvi há quase 10 anos, descobri sem querer
que meu melhor amigo na "terrinha" estava aniversariando naquele dia.
Fui cumprimentá-lo e acabamos perdendo algumas horas conversando com
mais alguns amigos.
Despedi-me de todos e fui à minha casa. Lá, conversei com alguns
vizinhos e acabei saindo às 21:50hs.
Como estava sem dinheiro, corri ao Bradesco para sacar algum... Todas as
máquinas estavam vazias.
Resolvi ir ao Itaú, mas cheguei na agência pouco depois das 22hs e
as máquinas estavam desligadas.
Acabei correndo três postos de gasolina até que um aceitou
abastecer e me dar troco no Visa Electron.
Vesti o equipamento, a capa de chuva e segui em frente.
Saí da cidade pelo acesso normal que leva a uma rodovia a 6km do centro
da cidade - estava começando a chover.
Quando cheguei nas proximidades da rodovia, descobri que o trevo estava
interditado e que deveria retornar os 6km e andar mais uns 10km para chegar a
mesma rodovia.- neste momento a chuva era torrencial.
Quando cheguei ao trevo do outro acesso havia uma carreta tombada atravessada
na pista e o trânsito estava paralizado em quatro
ramificações da estrada.
Passei pela lateral e consegui prosseguir, mas por causa da chuva, o
óculos ficava impraticável: encharcado por fora e embaçado
por dentro.
Fui até o próximo posto a 30km/h, levei quase uma hora neste
trajeto, ao final, tirei o óculos e terminei de "cara-limpa".
Chegando lá, pesquisei se havia algum hotel ou motel para eu pernoitar
ali e nada.
Fiquei esperando uma trégua da chuva por quase 2 horas.
Quando senti que o tempo havia melhorado um pouco resolvi tocar pro
próximo posto: mais 30km aproximadamente. Outro sufoco.
Nada de hotel nem de motel...
O óculos não colaborava mesmo. Comecei a sentir medo de morrer...
Ao chegar no outro posto, tomei um café bem quente e aguardei mais um
tempo até que a chuva começou a ceder.
Coloquei outro óculos, mais aberto e a situação melhorou
bastante.
Fui em frente e acabei passando muito frio. Ao ponto de ter que aquecer a luva
e a máscara no motor da moto, cada vez que ia reiniciar o trajeto.
Cheguei em casa por volta das 5:30 da manhã. Morrendo de sono, mas
são e salvo, prá acordar às 8 horas para ir pro trabalho.
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