A saída foi marcada para as cinco da matina, no posto de saída da cidade.
Radião e Leid chegaram no horário. Terminei de calibrar o pneu da moto da Sílvia, e saímos.
Era noite ainda, e embora a estrada estivesse quase vazia, a Santos Dumont não é uma rodovia
para andar rápido. Quando cheguei a 100 km por hora, recebi os lampejos da Sahara da Sílvia,
e reduzi para os 80 regulamentares. De ferrolho, Radião ia brejeiro e quase dava pra adivinhar
a risada dele embaixo do capacete.
Famintos, víamos passar os restaurantes da estrada, todos fechados, até depois das seis
horas. Quando o sol começava a brilhar, entramos no Frango Assado da Bandeirantes, por volta do
km 50, e aliviamos a marvada.
A travessia por São Paulo foi tranquila. Fizemos as marginais Tietê e Pinheiros e a
avenida dos Bandeirantes em menos de 20 minutos, a uma média de 70, 80 km/hora. O trânsito
fluía macio.
Pra variar, paramos no Frango Assado da Imigrantes, logo no início, para abastecer
as motos, aliviar as bexigas e mais uns comes e bebes. Não tinha fome, nem precisava
abastecer. Depois do banheiro, enquanto esperava a volta dos outros, fui apanhar a máquina
fotográfica no bauleto da moto e... eca! Um cheiro doce, enjoativo, quase me tirou a
respiração. Havia uns brilhos estranhos... e logo percebi que tinha havido um vazamento de óleo.
Felizmente, era o óleo de banho da Sílvia, que estava aberto dentro da sacolinha, e
vazou todo sobre as outras coisas, transbordou sobre a mochila e inundou o bauleto.
Depois de contar até uns 25 e meio, respeirei fundo e comecei a tirar toda a minha
bagagem e a sacolinha de higiene pessoal e depositar no chão do estacionamento do posto. Foi
a atração da manhã. O pior era dentro da sacolinha: um desgosssto!
Meia hora, uma bandana, um perfex e alguns lenços de papel depois, pude recolocar a
bagagem, quase seca mas cheirando forte. No meio da tarefa, Radião, Leid e Sílvia chegaram e,
depois de alguns risos, me ajudaram.
O resto da viagem foi tranquilo. Descemos a Serra na miúda, chegando ao hotel às oito
e meia.
Motos na garagem, ao lado da Vmax do Duende e Tiazinha, que tinham chegado na noite
anterior, uma caminhada pela praia, churros, pipoca, e uma ligação para o Dan às nove horas.
É que o Rabuja pediu para avisá-lo de que chegaria atrasado no ponto de encontro da Imigrantes
(pora variar, no Frango Assado), e eu não havia conseguido falar com ele na noite anterior.
O plano do Presidente Pançudo era encontrar-se com o Bispo às nove, no Frango Assado do km 71
da Bandeirantes, e seguir até o Frango Assado da Imigrantes para encontrar o expresso caipira,
que vinha de Bauru com Rabuja, Bomba e carro de apoio. Mas, às 9, ele ainda não havia saído de
casa.
Depois, no retorno, o encontro com Duende e Tiazinha, que estavam esperando Rabicó
para ir a um bar em São Vicente. Eram apenas dez e meia da manhã... Para esperar o Hail,
anfitrião do Radião, ficamos no restaurante do hotel, para umas cervas e aquela feijoada.
O cara chegou na reformada Falcon, e a gente ficou jogando conversa fora um tempo, até que,
graças ao pouco sono, um pouco de cerveja e o excesso de comida... fui a nocaute.
A idéia era esperar Dan e o expresso caipira, que pelo telefone se comprometeu a me
chamar assim que chegasse, pra reunião regulamentar da corujada.
Lembro-me da passagem de um trem a toda velocidade por sobre a minha cabeça, dentro
de um túnel escuro, que foi se iluminando até transformar o apito da composição no tilintar
do telefone. Era três e quinze da tarde! E a reunião ia começar. No hotel.
Desci do jeito que deu, apanhando o chinelo e esquecendo a camiseta... mas voltei a
tempo.
Depois da reunião, o trem corujão em direção ao evento...
A reunião foi rápida e divertida, embora pudesse ter sido melhor se
o Dan e eu brigássemos. Como não houve briga, ficou um gosto de
coisa por fazer. Mas o Falcon estava mal-humorado, como sempre, e
apressadíssimo para acabar logo, pois a Adversária estava do lado do
relógio de ponto, e se ele atrasasse... Por unanimidade, Duende foi
escolhido para presidir a reunião, tarefa da qual ele se desincumbiu
com rara competência, passando tudo para o secretário Rabugento.
Assim, a reunião não ficou tão atípica assim (hehehehe)
Tudo decidido, inclusive questões linguísticas da mais alta
transcendência, e aprovado o meio escudo para o Paulo Bomba,
seguimos em comboio para o evento: Hail, Lu, Rabicó, Dan, Rabuja,
Bispo, Duende, Fuscão, Toiço, Radião, Falcon, Pandorgão, Silvia,
Bombete e Traquinho, no carro de apoio, e eu.
Quer dizer... quase!
Um trem grande assim, misturado no trânsito das ruas, em meio a
gaioleiros apressados, motoboys, táxis e semáforos, tinha tudo para
não dar certo. De vez em quando, o trem virava dois, os da frente
esperando os do fundos... até que a Bombete, no final do trem, de
carro, perdeu-se. Claro que depois que inventaram o celular, fica
mais fácil resolver esse tipo de problema. A gente só tem que levar
o celular.
O que a Bombete não fez. E a gente acabou indo para o evento sem
elas, deixando o resgate para o Bomba, Dan e Hail.
A emoção do Emerson e do Oslei na nossa chegada valeu a neblina na
Imigrantes (contei não? pegamos uns quilômetros de neblina lá em
cima, pesada, mas curta, felizmente). Depois de marchas e
contramarchas na definição da data do evento, não por culpa dos
Estradeiros, eles estavam com receio de que a coisa naufragasse. Se
dependesse só dos Corujões, a festa já estaria garantida. Fiquei
emocionado com o calor da recepção e com a alegria contagiante.
Festa maravilhosa. Do jeito que eu gosto: muitos amigos e pouco
comércio. Só o necessário: comes e bebes. O dinheiro dos comes para
a caridade. E frutas! Alguém já viu evento com frutas! Me lambuzei
de mexericas, laranjas e bananas. E aproveitei e lambuzei alguns
coletes com casca de mexerica também, que ninguém é de ferro.
Algumas horas, muitas risadas, bastante emoção e 3 mil fotos depois,
voltamos para o hotel, abancamo-nos para um caldo, umas cervas e
muito papo... Não sem antes fracionar o combio pelo caminho, é claro.
Domingo, marcamos para sair às 8 horas. Pontualmente às 9 estamos de
saída, capacetes na cabeça, luvas nas mãos... e a chave da minha
moto pendurada no pescoço!
Algumas fotos e risadas depois, saímos tranquilamente driblando os
radares de Santos. Pandorgão no ferrolho, Silvia logo atrás de mim e
Radião atrás dela.
Antes de subir, uma paradinha para abastecimento no Frango Assado da
Imigrantes, uns pipis rápidos e umas piadinhas
A subida foi tranquila. Um pouco de neblina, e só. Ao chegar à
cidade, na saída para a Marginal Pinheiros, o capitão pegou a saída
errada, em direção à Tietê. Como o caminho por ali é muito mais
comprido, deveria ter pego o primeiro retorno. Mas, indeciso, ficou
à esquerda e quando o retorno chegou, foi em frente, espalhando o
erro, jogando no ventilador. Mais à frente, num cruzamento onde era
proibido fazer a conversão à esquerda, o que ele fez? Convergiu à
esquerda, no farol, trazendo as três motos pra a contravenção. Feita
a correção, ficou ainda na dúvida se estava mesmo na avenida
Bandeirantes (estava!!!), e quase saiu dela, à direita. Em pouco
menos de 500 metros, só quatro errinhos!!!... Mas não vou dizer quem
fui!!! Sorte é que o trem não decidiu me estrangular hehehe
Depois disso, só o estresse de atravessar São Paulo e, logo depois,
a última parada, no Frango Assado do km 34 da Bandeirantes...
Ali, ouvindo um violãozinho, ganhei o DVD que o Hail mandou pelo
Radião. Easy Rider. Um espetáculo. E emoção, já que foi uma
belíssima surpresa!
Despedidas efusivas, o capitão combinou sair da Bandeirantes no km
59. E não deu outra: saiu da Bandeirantes no km 50! Eta cara
enrolado!
No fim, em Valinhos, seguimos Silvia e eu pela Anhanguera, enquanto
Radião e Pandorgão entravam para a Dom Pedro pelo anel viário.
Radião, pra casa. Pandorgão, pra filar uma bóia na casa da Carol.
E assim se desfez o Expresso Frango Assado... Até a próxima revoada!